Antonio Lobo Antunes luta contra um cancro

"Não acreditava que um dia destes chegasse. E agora, Março de 2007, veio com a brutalidade de uma explosão no peito. Não imaginava que fosse assim, tão doloroso e, ao mesmo tempo, tão pouco digno como a velhice e a decadência. Tão reles. O olhar de pena dos outros, palavras de esperança em que não têm fé.

(...) Mói e mata. Mata. Mata. Mata. Mata. Levou-me tantas das pessoas que mais queria. E eu, já agora, quero-me? Sim. Não. Sim. Não — sim."

– António Lobo Antunes, ecritor.

Diz o jornal Público: «O escritor António Lobo Antunes foi operado depois de lhe ter sido diagnosticado um cancro, revelou o próprio na sua crónica semanal na revista "Visão".»

Notícia completa aqui.

15.04.2007                   Comentários 3       +

comentários

mesmo se não apreciamos por aí além a escrita do Dr Lobo Antunes
a sua voz e a sua verve veramente criativa faz falta neste país dormente caído em amarga e vil tristeza. Desejamos rápidas melhoras ao autor do Cu
de Judas

Comentado por andre bonito a 24 de maio de 2007

Dr. Lobo Antunes, compreendo a sua fé e a sua dor, foi um mau momento que vai ser ultrapassado porque é um lutador e a sua vida é o seu bem mais precioso e quando tiver as oscilações de fraqueza lembre-se do qual é o seu lado positivo da vida e porque deve lutar por esse objectivo. A escrita é um dos seus modos de vida. Sónia Matias.

Comentado por Sónia Matias a 28 de setembro de 2007

Sou completamente fã das suas crónicas, que dão algum sentido a muitas coisas que sinto ....
Se me permite aqui lhe deixo um pequeno pensamento :

Tempo : Ampulheta da nossa vida

É aquele que não pára quando queremos
Que corre quando não temos tempo
Que leva uma palavra na asa
Um sentimento no corpo
Que parece parar quando uma criança nasce
Que anda mais depressa quando a infância voou

É também o tempo atmosférico
Que faz vergar ar árvores sob o vento
Que lhes arranca as folhas, as desnuda
Que tinge as nuvens de raios, de cor ou negras de medo

Mas também que inunda a terra e a torna fecunda
Que cobre os campos com as cores do arco-íris
Que pincela de verde manso os bosques
Que dá vida aos ramos adormecidos das árvores
Que acorda as flores, as penteia, e as veste

E é o tempo físico que, ainda, não aprendemos a controlar
Que teima em nos modificar as feições
Em nos fazer andar mais devagar, quando o tempo escasseia
Que nos faz curvar perante ele, quase fazendo vénia ao passado
Vénia que deveríamos ter feito enquanto havia tempo
Porque, um dia, já não há tempo para ter tempo
Ele engoliu-nos.

E, nesse curto espaço de tempo, damo-nos conta
Que não tivemos tempo para tanta coisa, que afinal não precisava assim de tanto tempo :
Aquela palavra que tanto tínhamos querido dizer
Aquela confissão tanto tempo calada
Aquele beijo de bom dia que só leva um segundo
Aquela palavra meiga e de ânimo que pode devolver o tempo
Aquele abraço que faz reter tempo
Aquele sorriso que apaga o tempo da dor

Tempo : nuvem intemporal da nossa vida
Mais veloz que a nossa ânsia de a agarrar

SY - n.e.

Comentado por Sylvie a 18 de outubro de 2007

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